Comitê da Cultura de Paz

A redução dos orçamentos militares exige pressão internacional, diz D. Irineu Rezende

UN Photo/Martine Perret

O Dia Mundial de Ação contra os Gastos Militares, 17 de abril, foi celebrado por vários grupos ao redor do planeta. No Brasil, Dom Irineu Rezende Guimarães – que deu início à cadeira de Educação para a Paz no Rio Grande do Sul 20 anos atrás – preparou um texto elucidativo sobre a importância do desarmamento, apontando o custo social do investimento em armas. Veja a íntegra abaixo.

“O Presidente dos Estados Unidos, prêmio Nobel da paz 2009, chamou a atenção do mundo inteiro ao anunciar, no dia 5 de janeiro de 2012, a retirada dos exércitos americanos do Iraque e a redução do orçamento militar do seu país, com um corte de 450 bilhões de dólares para os próximos dez anos.

Na verdade, a redução dos gastos militares tem sido um grande clamor mundial diante do crescimento deste índice. Este ano, o dia 17 de abril foi escolhido como “Dia Mundial de Ação Contra Gastos Militares”. Assim convido a vocês a rezar pela redução dos orçamentos militares, para que se concretize a profecia de Isaías, “as espadas serão transformadas em arados e as lanças em foices” (Is 2,4).

Segundo os dados do SIPRI, Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisas de Paz, em 2010, os orçamentos militares e despesas com armamentos foram de cerca U$ 1.681.000.000.000,00! Em números absolutos, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar, com despesas de 1,464 bilhões de dólares anuais, correspondendo a 41,5% do orçamento mundial. Segue a China, com 84,9 bilhões de dólares e 5,8% das despesas mundiais. Em terceiro lugar, a França com 65,7 bilhões de dólares e 4,5% das despesas do mundo. Em quarto lugar, o Reino Unido (65,3 bilhões e 4,5%); em quinto, a Rússia (58,6 bilhões e 4%). O Brasil ocupa a 13ª posição, com despesas anuais de 25,3 bilhões de dólares e 2% dos gastos mundiais.

Numa lista de 172 países (www.indexmundi.com/g/r.aspx?v=132&1=pt), comparando a relação entre o orçamento militar e porcentagem do PIB, os dez primeiros são Omã (11,4), Catar (10,0), Arábia Saudita (10,0), Iraque (8,6), Jordânia (8,9), Israel (7,3), Iêmen (6,6), Eritreia (6,3), Macedônia (6,0) e Síria (5,9). Em último lugar está a Islândia, com 0% de gastos! Os Estados Unidos ocupam a 24aposição (4,0%); a França, a 55aposição (2,6) e o Brasil a 89ª posição, com 1,7%.

A cada dólar investido no social, o mundo gasta dois mil dólares em armas, numa desproporção não somente escandalosa, como aviltante. Segundo especialistas, os investimentos de apenas dois meses em gastos militares seriam necessários para atender as necessidades básicas de saúde e educação de todo o mundo. Por que gastamos tanto dinheiro em armas? Por que áreas essenciais como educação e saúde são relegadas em detrimento de um investimento militar?

Assim tocamos num dos aspectos mais complexos nos debates da paz, sua dimensão político-econômica. Considerando a crise que ameaça o planeta nas suas diversas dimensões (econômica, ecológica, sanitária etc.), faz-se necessário assegurar a destinação dos meios financeiros para as necessidades humanas, como a alimentação e não o desenvolvimento do complexo militar-industrial. Já são várias as organizações que apoiam este ponto de vista. Mas a redução dos orçamentos militares não se fará se não houver uma pressão internacional visível e exigente.”