Comitê da Cultura de Paz

115º Fórum
Neurônios, ética e sociedade


com Prof. Dr. Luiz Eugênio Mello 

Os avanços da neurociência nos ensinaram a linguagem dos neurônios e hoje nos permitem mapear e, de certa forma, entender como funciona o sistema nervoso. Graças a medicamentos poderosos, milhares de pessoas convivem com doenças ou desajustes em diversas esferas da química que afeta nosso cérebro.

De fato, mesmo animais na natureza têm instintivamente uma tendência ao auto-ajuste, à automedicação. O que hoje fazemos por meio de inúmeras terapias químicas é um processo mais refinado, muito mais efetivo e intencional dessa automedicação rudimentar feita pelos outros animais. Implantes cerebrais começam progressivamente a fazer parte de um novo cenário de correção desses desajustes e doenças de nossa esfera neurológica e psiquiátrica. Tratamentos para dor, epilepsia e parkinson já têm plena aceitação pela comunidade médica e validação científica.

O futuro que nos reserva esses avanços, no entanto, tem de ser trabalhado e considerado em planos muito maiores. Um futuro de robôs e autômatos onde a fronteira entre o autocontrole e o controle externo se tornem nebulosos deve ser uma preocupação da sociedade. Um futuro onde testes psicológicos e avaliações de função mental possam ser aplicadas em atores públicos (políticos, empregados do governo) deve ser considerado sob a perspectiva de como se estrutura nossa sociedade.

A violação das liberdades individuais, o determinismo de testes não necessariamente conclusivos, as ameaças de uma sociedade totalitária são todas riscos que esses avanços nos trazem. O avanço do conhecimento e de nossa capacidade de controlar a nós mesmos e aos outros tem sido muito rápido. Em um passado não tão remoto, estabeleceu-se, por exemplo, o entendimento de que é errado fazer as pessoas consumirem com base em propagandas subliminares. Dependência de drogas, sociopatias graves: onde devemos traçar a fronteira dos controles no nosso admirável mundo novo?


9 de setembro de 2014 • terça-feira • 19 horas
Auditório do MASP • Museu de Arte de São Paulo

Av. Paulista, 1578 – São Paulo/SP – Estação Trianon-Masp do metrô
Entrada franca – Não é necessário fazer inscrição antecipada


Luiz Eugênio Mello é graduado em Medicina, mestrado e doutorado em Biologia Molecular pela Universidade Federal de São Paulo. Pós-Doutorado em neurofisiologia na UCLA. Livre-Docente e Professor Titular de Fisiologia da EPM/Unifesp. Coordenador Adjunto da Diretoria Científica da FAPESP 2003-2006 e Pró-Reitor de Graduação da Universidade Federal de São Paulo 2005-2008. Membro Titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia Brasileira de Ciências. Conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Editor setorial do “Brazilian Journal of Medical and Biological Research”. Busca entender os mecanismos neurais envolvidos na dependência de drogas, meditação e acupuntura.