Comitê da Cultura de Paz

41º Fórum
O processo formativo humano – Uma tarefa bioética

Com Regina Favre

Hoje, na velocidade e concentração planetárias trazidas pelo capitalismo global, a experiência nos mostra que a vida se dá de modo aberto e sistêmico; que a realidade se faz continuamente e não é feita – como pensávamos até há pouco – de indivíduos que se movem e se firmam dentro de um cenário estático. Mostra também que a subjetividade não é apenas íntima, mas um grande mar alimentado por movimentos econômicos, políticos, sociais, culturais, inovações tecnológicas, modos, modas, comportamentos, línguas, valores, guerra. Tudo misturado. Ondas de todos os tamanhos e durações, solicitando-nos a criar continuamente novas modelagens subjetivas para podermos nos articular, viver, fazer, nos relacionar – enfim, sobreviver.

Muitas pessoas já se percebem fazendo parte da evolução; sentem a si mesmas como sistemas vivos, parte da biosfera, interligadas em redes, ambientes dentro de ambientes, articulados a outros ambientes. Poucos ainda se percebem como portadores de uma capacidade – muito mais complexa do que aquela de qualquer outro ser vivo – de autoconstruir-se e automodelar-se continuamente, a partir do vivido.

Entretanto, o mais difícil de perceber é como o capitalismo global contemporâneo se alimenta precisamente da potência humana de dar forma a si mesma. Captura essa potência e a canaliza, oferecendo moldes subjetivos pré-fabricados pelo próprio capitalismo, testados pela relação do mercado, manipulados por pesquisas de opinião e sustentados por tecnologias criadas pelas mentes mais brilhantes.

Isto é o que denominamos hoje de biopoder. E é um dos campos de trabalho ético mais urgentes na atualidade.

Neste fórum vamos abrir essas cartografias do vivo e do capitalístico. Simultaneamente, vamos experimentar a própria situação de fazer o que estamos fazendo e ser quem somos.

 


Regina Favre: Filósofa (PUC-SP) e terapeuta. Primeira geração no campo das psicoterapias corporais no Brasil. Introdutora e tradutora do pensamento filosófico, biológico e clínico de Stanley Keleman no Brasil. Foi diretora e fundadora do Agora Centro de Estudos Neo-Reichianos (SP) e do Centro de Educação Somática Existencial (SP). Atualmente prossegue independente, junto a pessoas e grupos profissionais, dedicada ao aprofundamento e à transmissão da visão kelemaniana de formatividade.

 


ENTRADA FRANCA
14 de junho de 2005 – terça-feira – 18 horas
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Auditório Paula Souza
Av. Dr. Arnaldo, 715 – São Paulo – (Estação Clínicas do Metrô)

Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
- um programa da UNESCO -