Comitê da Cultura de Paz e Não Violência

A cargo do Padre Júlio Lancellotti

Nossas sociedades excludentes têm reduzido as possibilidades de trabalho, privando boa parte de seus filhos do acesso à moradia, educação, saúde e demais condições básicas à dignidade humana e ao exercício pleno do direito de cidadania.

Quase três bilhões de pessoas, ou metade da humanidade, é hoje obrigada a sobreviver com menos de dois dólares por dia e um terço dessa população sequer atinge um dólar de renda média diária. Esse imenso contingente de pessoas – boa parte moradora nas ruas ou em habitações extremamente precárias – é o mais exposto às diversas formas de violência, sobretudo em grandes cidades, como São Paulo.

Pesquisa elaborada pela Fipe revelou que 70% dos moradores de rua desta cidade estão no auge de sua capacidade produtiva. São pessoas que perderam seus empregos e, em seqüência perderam também a moradia, os vínculos familiares e afetivos, migraram, alteraram hábitos, perderam referenciais e mergulharam na desordem emocional e muitas vezes na dependência química. Nestas condições, a reintegração à sociedade fica ainda mais difícil. A vida na rua leva ao anonimato, à solidão, à perda de identidade.

O combate ao apartheid social e a criação de alternativas de inclusão são hoje condições necessárias na busca de uma sociedade mais digna e justa. Esta busca passa, de um lado, pelo aprofundamento do compromisso com a redução da pobreza, da violência e de todas as formas de discriminação e, de outro, pela efetiva implementação de políticas públicas que visem a superação dos conflitos e das situações de violência.

Tendo como base tais premissas, a proposta deste Fórum é dialogar sobre a construção de uma cultura de paz a partir de uma vivência de real compromisso com populações que vivem em condições de exclusão e vulnerabilidade social, como os moradores de rua, os jovens privados de liberdade e as crianças e adolescentes carentes portadores do vírus HIV.

 


Padre Júlio Lancellotti é Vigário Episcopal do Povo da Rua; coordenador da Pastoral do Menor da Região Belém; Pároco da Paróquia São Miguel Arcanjo, da Mooca, responsável pela Casa Vida, que abriga crianças e adolescentes portadores do vírus HIV, e pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. É idealizador e apoiador de inúmeros projetos para a inclusão da população de rua, como a Casa de Oração do Povo da Rua; a Oficina e Arte Luz da Rua e a Casa Cor da Rua. É um grande incentivador dos catadores de materiais recicláveis, que tem visto sua atividade profissional ser ameaçada. Como responsável pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente tem se empenhado em inúmeras lutas pela inclusão cidadã dos menores em situação de risco.

 


ENTRADA FRANCA
8 de novembro de 2005 – terça-feira – 18 horas
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Auditório Paula Souza
Av. Dr. Arnaldo, 715 – São Paulo – (Estação Clínicas do Metrô)